Ainda a Pensar!

14803_640683512622099_894242166_n

O País está em chamas, o céu coberto de cinza e em vez de ar, respiramos fumo. É este o cenário que o nosso país atravessa sem que se veja um fim à vista para esta calamidade.

Por mim próprio falo. Os noticiários dão conta de inúmeros incêndios florestais de grandes dimensões, e eu estive envolvido num deles (Mondim de Basto) durante mais de 18h consecutivas.

As condições climatéricas, o desordenamento e desleixo no cuidado com a floresta Nacional e a orografia das serras complicam o combate aos incêndios, mas sobretudo começa-se a notar o desgaste do Dispositivo Nacional de Combate aos Incêndios Florestais. GRIF’s, GRUATAS e equipas deslocam-se sucessivamente de incêndio para incêndio não tendo o tempo necessário para o descanso e recobro do esforço exercido.

A orografia das serras são um das maiores barreiras ao combate aos fogos, sucessivos vales encaixados que se tornam demasiado perigosos para o combate directo, e aos que ousam ataca-lo directamente nesses mesmos locais são remetidos para o seu lugar, muitas vezes com mazelas ou ainda pior que isso.

Hoje foi o dia do Funeral do Jovem Bernardo Figueira que faleceu devido aos ferimentos infligidos pelo combate ao fogo. Revejo-me na imagem deste jovem Bombeiro. 23 anos, recém licenciado em Informática e sobretudo um Bombeiro com vontade de ajudar e combater. Pereceu perante uma luta desigual sem que os companheiros o pudessem ajudar. Não obstante as noticias correm depressa demais, desta vez uma jovem Bombeira de 21 anos oriunda do Carregal do Sal que pereceu durante o combate ao Incêndio na Serra do Caramulo, ao passo de 2 Bombeiros gravemente feridos e 3 deles com ferimentos mais ligeiros.

É impensável que em praticamente duas semanas tenham morrido 5 bombeiros e centenas tenham ficado feridos!

“E, se conheço a voluntariedade, a força de vontade e abnegação de todos os jovens que combatem os incêndios, também sei que não devemos contribuir para termos heróis mortos ou feridos por causa de uma certa ingenuidade e vontade aventureira de combater todos os fogos custe o que custar sem necessariamente e obrigatoriamente se avaliar o risco do benefício ou custo em que o custo primeiro é a vida!”

Todos nós que estamos por dentro necessitamos da adrenalina para viver, e nada nos deixa mais realizados que uma missão cumprida com sucesso, mas é inegável estamos a chegar ao limite do que é Humanamente possível.

Leave a Reply