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DECIF 2015: Os Cães Ladram e a Caravana Passa

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Estamos a poucos dias de dar início à chamada “época crítica” dos Incêndios Florestais (Fase Charlie), mas muito pouco mudou face ao mesmo período do ano passado. Arrisco a dizer que estamos pior ainda.

Depois do trágico ano 2013, foram (pelo menos verbalmente e no papel) tomadas medidas para melhorar a protecção no combate aos incêndios, mas na prática pouco ou nada isto se verifica.

Somos voluntários é a desculpa mais ouvida para as falhas no cumprimento dos deveres que nos são impostos pela farda que envergamos, mais uma consequência da pequenez do pensamento tipicamente português. Mas onde está o orgulho de dizer “Voluntário por Opção, mas Profissional na Acção?”.

O meios Governamentais dizem haver um maior investimento no dispositivo de combate a incêndios, vangloriam-se um aumento dos meios disponíveis, do novo Equipamento de protecção individual e de que estamos melhor preparados para combater os incêndios florestais.

Mas será que se perguntam a si próprios se é realmente verdade? Mais meios humanos? Sim um aumento irrisório, mas em contrapartida os meios aéreos estão seriamente comprometidos devido à corrupção que envolve as entidades competentes. Novos EPI’s? Sim realmente foram distribuídos novos EPI’s todos bonitos (demasiado reflectores até) mas na verdade nem dão para equipar todos os elementos intervenientes.

Além disso ainda é possível ver na TV imagens de elementos empenhados no combate a incêndios a trabalhar e manga curta e chapéu. Onde é que está a protecção? Onde está a consciência desses elementos empenhados no combate aos incêndios? O primeiro passo passa por cada um de nós tomar consciência daquilo que está a fazer e ainda não é isso que acontece em grande parte das situações.

No campo dos meios empregues no combate aos incêndios sou da opinião que poderíamos fazer mais com menos. Sim, mais com menos. No fundo estamos mal habituados a usar os meios que temos há nossa disposição. Verifica-se uma corrida consumista aos maiores, mais caros e mais vistosos meios de combate sem que estes por vezes sejam adequados à orografia da zona de intervenção. Os meios aéreos na minha humilde opinião e eu nem percebo nada de “máquinas que voam” são completamente desajustados à realidade nacional.

Em primeiro lugar o nosso território é largamente ocupado por cadeias montanhosas, vales íngremes que constituem dificuldades ao uso de aeronaves de asa fixa (aviões), sim falo dos enormes Canadair’s C215 assim como os Dromader e Airtractor que sentem dificuldades em zonas mais montanhosas e sinuosas além do elevado tempo entre reabastecimentos ou scooping. Quanto às aeronaves de asa rotativa (helicópteros) também estes deveriam ser melhor distribuídos e talvez até ser investido um pouco mais em aeronaves ligeiras / médias deste tipo que apesar da autonomia reduzida possuem uma agilidade e eficácia muito elevadas.

O caso dos Kamov fez, faz e continuará a fazer correr muita tinta, mas uma grande parte das pessoas não faz a mínima ideia das capacidades e da aeronave que temos na nossa posse e que não aproveitamos. Uns dizem que foram extremamente caros, sim é verdade mas temos ao nosso dispor (em parte, e não contando que estão inoperacionais) 6 das aeronaves de asa rotativa tecnologicamente mais avançadas e poderosas em capacidade de carga suspensa, em manobrabilidade para não falar que é excelente para evacuações médicas e resgate. Mas continuaram a ser uns autênticos “monos” para quem olha superficialmente e se contenta em dizer que tudo está mal…

Continuaremos a ter gente que diz que os pilotos não sabem pilotar, que são demasiado conservadores, que não se querem arriscar, que fazem descargas fora do local ou demasiado alto. Mas será que já pensaram no porquê? Humm, desconfio que não e não vou ser eu a perder tempo a explicar coisas que as mentalidades pequeninas e formatadas nunca iriam entender…

Enquanto não se mudarem mentalidades continuaremos a ter falhas graves, a assistir a imagens pouco ortodoxas e a ouvir falar de escândalos e corrupção nas entidades responsáveis…

Como diz a célebre frase: “Os Cães Ladram e a Caravana Passa…”

Atitude!!!

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Atitude!!!

O Eterno “Se…”

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O verão está aí à porta e o Dispositivo de Combate a Incêndios está de novo montado, mas tal como já era de esperar sem grandes alterações no que à segurança pessoal dos elementos integrantes das equipas diz respeito.

Há boa maneira Portuguesa os equipamentos de protecção individual tardam em chegar, assim como tardam em ser desbloqueados os pouco mais de 700 mil euros que Timor-Leste doou no final do verão passado aos Bombeiros Portugueses.

140.949 mil hectares ardidos e acima de tudo 9 mortes sendo 8 delas Bombeiros que integravam o dispositivo de combate a incêndios deveria ser um motivo mais do que suficiente para que tivessem sido tomadas as providencias necessárias durante a época de Inverno.

É muito bonito vir para os meios de comunicação social dizer que irá haver novo equipamento de protecção individual melhor e mais resistente ao calor e às chamas, mas este tarda em chegar! Além de que muitas as associações não tem capacidade financeira para adquirir destes equipamentos para todos os seus Elementos.

O Cirurgião Celso Cruzeiro, coordenador unidade de queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra remata “SE o material, sobretudo os fatos e as botas, fosse adequado, podia ter minimizado a gravidade das lesões”, “Alguns usam equipamento que arde e cola-se à pele. Outros já têm equipamento mais ‘sofisticado’, na medida em que não arde, mas deixa passar calor e provoca queimadura na mesma” realçando que “o equipamento ideal para quem pisa terrenos em chamas é o que não arde nem aquece”.

Tudo isto é muito bonito no papel e nos meios de comunicação social, mas a realidade é praticamente igual à do ano passado, tirando o facto de que cada um dos elementos irá receber um “Manual de Bolso” com informação sobre segurança no combate aos incêndios, que dá sempre jeito para ler nos pequenos intervalos do combate às chamas (cof cof cof)…

O calor chegará assim como os incêndios, o panorama irá repetir-se sem que o Dispositivo de Combate a Incêndios se negue ao desempenho das suas funções, isto porque tal como Steve Jobs dizia “Não me interessa ser o Homem mais rico de cemitério. […] Ir para a cama à noite e sentir que fizemos algo fantástico […] isso é que me importa.”

Tantas Coisas Poderiam Ter Sido Evitadas em 2013…

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O ano 2013 poderia ser considerado de antemão um ano de azar, segundo a superstição do número 13.

Avaliando agora tudo o que se passou não foi realmente um grande ano. Muitas dúvidas, muito desleixo, muitos projectos e ideias guardadas na gaveta e muito pouca vontade de as concretizar.

Alguns dos objectivos pessoais propostos foram cumpridos, e uns tantos outros nem por isso.

Opções certas e erradas ditaram o caminho percorrido.

O verão previa-se o mais fresco dos últimos 40 anos, mas não foi exactamente o que aconteceu. O flagelo dos incêndios florestais voltou em força, queimando tudo e todos os que se opunham. 8 companheiros na batalha pela paz foram consumidos e isso dá que pensar.

Relatórios indicam falhas nas chefias, ignorância e falta de experiência dos elementos no terreno, material de protecção individual e viaturas desajustadas. Tudo isso tem alguma verdade, eu concordo que sim, mas é sempre mais fácil culpar quem algo tenta fazer, mesmo quando as coisas não correm bem.

Experiências adquiridas quer para o bem, quer para o mal moldam a nossa personalidade. Podemos fazer retrospectivas do passado, mas este só será realmente útil se formos capazes de aprender com os erros, tornando-nos mais fortes.

O medo envolve-nos mas deixa-nos alerta, e maior é a virtude de conseguir controlar o medo e jogar com ele a nosso favor… Confiança é necessária. mas em demasia leva-nos ao fundo, e eu aprendi bem a lição.

É difícil parar e pensar que não cumprimos tudo aquilo a que nos propusemos, mas sem objectivos não somos nada nem ninguém.

O que tiver de ser, será. Nós decidiremos…

A Primeira Vez!!!

 

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Hoje acordei estremunhado ao toque da Sirene! Saltar da cama foi imediato e o coração, tal como sempre batia forte e a adrenalina corria nas veias.

Fardo-me à pressa, calças e camisola vestidas e botas desapertadas, bem ao meu estilo apressado e aí vou em direcção ao quartel.

À chegada o portão já estava aberto, mas o VSAE ainda não saíra. Chamam por mim apressadamente dizendo. “Nuno, tens de levar a Iveco”, o meu coração bateu ainda mais depressa e as minhas pernas tremiam!

Era necessária a intervenção de uma Viatura pesada e não havia de momento motoristas de pesados disponíveis, apenas eu. O maçarico, sim acreditem que quando me sentei no camião eu tremia realmente, afinal era a minha primeira vez ao volante de um camião numa real situação de emergência.

Não tenho “medo” de sair com qualquer tipo de viatura pesada, mas uma situação de emergência é completamente diferente. As sirenes tocam, o ritmo de condução tem de ser mais elevado, além disso, é necessário cuidados redobrados com todos os outros que circulam na via, que nem sempre são os mais condescendentes com a passagem de veículos prioritários.

A sensação foi de “ter caído de pára-quedas” ao volante do VSAE 01, nunca antes tinha conduzido o camião, e apesar de não ser um bicho-de-sete-cabeças a sua condução é sempre estranho. A dureza da caixa de velocidades reclamava um arranque a frio. Queixa-se, relutante a engrenar as primeiras velocidades. Mas como tudo na vida é preciso saber dar a volta as coisas, e tirar o real proveito.

No fim de contas tudo correu bem, a cada metro percorrido sentia-me mais confortável e tudo começou a sair naturalmente.

Assim é o natural sentido das coisas, primeiro estranha-se, mas depois entranha-se e foi o que aconteceu.

A primeira vez fica marcada e esta não será excepção. A primeira vez “real” do maçarico!

Agora venha um Kamaz 4911 Extreme, Tatra 815 ou Iveco Trakker Evolution 3 do Dakar que eu sou capaz de domar a fera, só preciso de lhe tomar o gosto e o pulso, o resto o coração encarrega-se de conduzir!