Crónica: Armindo Araújo e o Mini Jonh Cooper Works WRC

Muita tinta tem corrido ultimamente sobre o piloto nacional Armindo Araújo que ascendeu no ano passado e se mantém este ano na categoria rainha do campeonato do mundo de rally’s. Não pretendo com esta crónica denegrir a imagem do Armindo Araújo, pois ele tem talento comprovado com os dois campeonatos ganhos na categoria de produção, mas será esse talento suficiente para triunfar no WRC?

Para ser muito sincero, a resposta será não. Vivemos num país pequeno no qual é difícil agrupar um bom conjunto de apoios de modo a conseguir um programa de provas extenso, mas não é esse o principal problema da falta de competitividade dos pilotos nacionais na modalidade dos Rally’s. O grande problema dos pilotos nacionais é o facto da conjectura e da formação na área não ser a adequada para o aperfeiçoamento da pilotagem que um piloto de rally necessita.

No campeonato nacional não existe grande controlo ao nível dos treinos e dos pneus, elem de outras coisas o que motiva as equipas com maior orçamento a dominar as provas devido ao melhor conhecimento das mesmas, pois treinam vezes sem conta nas especiais de classificação, indo para a prova com os troços completamente decorados, e essa não é a filosofia dos rally’s.

Os rally’s exigem que os pilotos guiem por instinto e com confiança nas notas do navegador.  Na minha humilde opinião o Armindo Araújo deveria ter enveredado pelo SWRC, ou até 2010 no JRWC, esses sim, campeonatos de onde saíram bom pilotos para o WRC em virtude da grande competitividade desses mesmos campeonatos, coisa que o PWRC onde Armindo Araújo foi campeão nunca teve.

Temos lido muitas desculpas para os fracos resultados obtidos no WRC pelo Armindo Araújo, mas para mim não passam de desculpas, pois mesmo não tendo o carro mais competitivo do plantel, as suas provas tem sido executadas no anonimato. É certo que o material traz bons tempos nos troços, mas bons tempos nos troços e rally’s também trazem o material. Por vezes é preferível forçar o andamento e fazer dois ou tres tempos excepcionais e de seguida bater numa árvore do que passar despercebido durante todo o rally.

Ainda faltam 8 provas até ao final do campeonato, pelo que ainda espero um pouco mais de evolução do Armindo Araújo, mas a bem dizer já não tenho muita confiança que os bons resultados apareçam.

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