“De Repente Vimo-nos Envolvidos pelo Fogo”

A imagem da bombeira Patrícia Abreu em chamas, a arrastar-se pelo chão, aos gritos, a tentar escapar ao fogo, anteontem, em Barril do Alva, Arganil, não sai da cabeça do colega dos Bombeiros de Coja, Pedro Trindade: “Estava no chão a gatinhar, mas as botas e as pernas já estavam tomadas pelo fogo, assim como tudo à sua volta”. Pedro Trindade, 43 anos, que também sofreu queimaduras, ainda voltou para trás na tentativa de a salvar, mas já não conseguiu aproximar-se. 

Patrícia, 25 anos, morreu carbonizada. Os restantes quatro elementos sofreram queimaduras.
Pedro Trindade era o chefe da equipa e foi quem fez o reconhecimento, tendo concluído que aquele seria o melhor acesso. Ao regressar ao carro “algo de muito estranho se passou”, conta. Perderam a visibilidade e de repente viram-se “envolvidos pelo fogo”.
Todos fugiram, mas Patrícia ficou para trás e foi apanhada pelas chamas. Quando o comandante da corporação,Paulo Tavares, chegou ao local , “o corpo ainda estava em combustão. Não foi fácil”. Com a voz embargada, Paulo Tavares diz já ter visto muitas tragédias “mas como ontem nunca tinha acontecido”.
Fonte: Parte de um Artigo do Correio da Manhã

Apenas ler este artigo relatando o que os elementos da equipa de combate a incêndios que foi surpreendida pelo fogo e onde acabou por morrer um dos elementos tendo os restantes ficado com queimaduras é complicado, pois tantas vezes efectuamos as mesmas opções que essa mesma equipa tomou, os mesmos perigos e as mesmas surpresas.

Os níveis de adrenalina sobem até ao máximo numa situação de perigo e de fuga eminente onde por vezes se deixa todo o material para trás, mangueiras e agulhetas numa tentativa de salvar a vida. Desta vez a equipa não teve essa oportunidade de fuga e Patricia Abreu não conseguiu resistir.

Para mim como colega de “profissão” é muito difícil imaginar esta situação, algo que não se deseja a ninguém.

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