Mortes de Bombeiros: Eu Já Fiz a Minha Escolha e Vocês??

 

Mais um dos nossos que não conseguiu percorrer o caminho até ao fim e sucumbiu.

Esta é a triste realidade que ano-apos-ano se tem vindo a revelar aquando dos aumentos substanciais de temperatura.
Nestas alturas, em que lamentavelmente, acaba por falecer um bombeiro, somos assolados por uma serie de sentimentos e de perguntas: Como fica a família? E os filhos, órfãos de um futuro que o destino se encarregou de queimar? E os colegas? E os traumas psicológicos de quem fica e assistiu ao sinistro? Um misto de perguntas engalfinhadas numa parca panela de pressão que tem como condimentos principais, a raiva, a cólera e a revolta…
Todas as palavras que se possam redigir, são escassas para tornar grandes estes bombeiros mortos em serviço nos últimos dois meses.
Não podemos no entanto, deixar de tentar levar a cabo uma análise fria e coerente destas vidas ceifadas em troco de uma missão, de uma paixão, em boa verdade, em troco de nada.
Qualquer quer um de nós, acorda com a firmada consciência que em cada serviço a morte pode estar ao virar da esquina (ou não fosse a nossa atividade de risco), mas isso, por si só, não justifica a quantidades de mortes que se tem vindo a registar. No entanto deixemos as possíveis causas para um outro artigo, concentremo-nos no reconhecimento.
Nenhum de nós, pretende uma estátua revestida de imensas luzes na rotunda principal da cidade/vila. Nenhum de nós, ambiciona o seu busto perpetuado de forma eterna á entrada do quartel. Nenhum de nós, pensou algum dia que poderia deixar a família enriquecida com a sua morte.
Mas, já todos nós desejamos ser reconhecidos. TODOS (voluntários ou profissionais)! Todos acreditamos um dia que seriamos vistos como mártires da nação, como alguém que morreu em serviço do e para o povo.
Qualquer um de nós já se deitou na cama da camarata do quartel e pensou: “se sair e morrer, como ficara o meu filho? Será que alguém o apoiara? “, é precisamente este, o ponto de partida para uma analise que só pode findar de uma forma… porque na verdade, essa criança/adolescente ficara entregue á sua sorte, á sorte da sua família e á sorte de um possível amparo alheio, com uns míseros “trocos” no bolso para gerir um orçamento familiar onde todos os recursos são limitados e onde aquilo que o falecido auferia equilibrava os pratos de uma balança que teimava em pender para constantemente para um dos lados.
O Estado, a quem curiosamente cabe a responsabilidade da Proteção Civil em Portugal, limitar-se-á a pôr-se de fora, não se preocupando em nada com o futuro daquela criança/adolescente e daquele lar.
Esse Estado, é o mesmo Estado que vive e se rege por uma máxima: “Hoje morreu um bombeiro, amanhã estará lá outro no seu lugar…”
Esta é a realidade cruel das mortes de bombeiros em Portugal.
O país que tantas vezes socorremos, não nos agradece, nos cativa, não nos motiva, mas acima de tudo não nos merece…
Da próxima vez que saírem para uma ocorrência, cabe a cada um de vós, avaliar até onde esta disponível para ir.
Eu, já fiz a minha escolha, e vocês ???
Fonte: Luís Gaspar
Podemos Não Voltar, Mas Vamos!!!

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