VW 1302 – Resumo do 1º Mês de Restauro

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Pouco mais de 1 mês (30/08/2015) passou desde o inicio do projecto de restauro do VW 1302 de 1972… Tal como já era esperado este projecto é complicado e sobretudo moroso, pois trata-se de um carro com 43 anos de idade em que muitos dos seus parafusos nunca haviam sido desapertados desde o dia em que foram montados e apertados na linha de montagem da VW em Estugarda.

O VW 1302 não se trata de um qualquer VW “Carocha”, trata-se de um dos 4 modelos apelidados de Super “Carocha” cujos motores eram um pouco mais potentes que os “tradicionais” VW 1100, 1200, 1300 ou 1500, facto este que torna todo o projecto de restauro ainda mais interessante. No fundo a maioria das diferenças prendem-se ao nível do sistema de direcção, motor e um ou outro pormenor na carroçaria.

Quando chegou aqui há nossa garagem, estava bastante maltrado, muita ferrugem, muita sujidade fruto de uma estadia de 8 anos ao relento. Há chegada do reboque notou-se logo o primeiro problema, os travões estavam presos e calcinados pelo tempo de paragem, pelo que foi necessária alguma força bruta, e claro algum engenho (nada que uns pares de rodinhas e uma pequena tábua não resolvam) para colocar o carro no local pretendido.

Após separar a carroçaria do chassis, foi tempo de começar a limpeza da sujidade mais visível e grosseira, folhas, terra, musgo tudo foi limpo. Logo em seguida começamos a desapertar as rodas, o que não foi tarefa fácil pois alguns dos pernos estavam mais teimosos. Removidas as rodas, e colocado o chassis sobre dois pares de preguiças, demos inicio à remoção das tubagens de óleo dos travões e respectiva bomba de travão.

A limpeza do chassis foi dura e demorada pois os painéis de chão estavam muito danificados, o quais removemos e que dão agora lugar para uns painéis novinhos que apenas precisam de ser soldados no respectivo lugar. Outro dos pormenores é que o chassis vinha coberto por uma camada grossa de isolante tipo alcatrão que levou bastante tempo a remover a antes que se pudesse passar ao processo de escovar e lixar toda a superfície até “à chapa”.

Paralelamente fomos removendo o sistema de direcção, suspensão e caixa de velocidades, para então se efectuar uma limpeza pormenorizada a cada um dos componentes e respectiva substituição de borrachas ou vedantes necessários.

Limpo o chassis, é agora tempo de dar atenção aos componentes mais pequenos, braços de suspensão, direcção, alavanca de travão de mão, pedais, tudo está a ser limpo de modo a ficar pronto para receber uma camada de tinta protectora contra a corrosão. É um processo demorado e de muita paciência, a limpeza de todos estes componentes (e ainda falta um bom bocado para limpar todas as peças, parafuso por parafuso, peça por peça), mas é este pormenor que torna o processo ainda mais interessante, sobretudo único e até sentimental. Aos poucos e poucos o trabalho vai avançando e os resultados começam a ser visíveis, pelo que espero que esta fase dure cerca de mais 1 mês até ter o grosso dos componentes do chassis, suspensão e direcção limpos, prontos a pintar, rever e montar de novo.

A montagem será um processo muito importante, pois será o momento da juntar tudo de novo, substituindo as borrachas, tubos de travão, rótulas de direcção, casquilhos e um ou outro elemento mais desgastado. Será então altura de em paralelo com a montagem do chassis e componentes gerais dar atenção à caixa de velocidades e motor que serão limpos e revistos, antes de entrarmos na tarefa hercúlea que será decapar, lixar e reparar toda a carroçaria inconfundível do pequeno VW 1302 “Carocha”.

Tal como diziam nuns certos desenhos animados da minha infância “Não percam o próximo episódio, porque nós também não”…

Porque Todos Nós Precisamos de Um Projecto Na Vida…

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Nada somos sem ambições, paixões, manias e projectos na vida. Eu não sou diferente e apesar de muitas ideias, muitas vontades e projectos (grande parte deles na gaveta) canalizo agora forças para o restauro do “mal amado” VW 1302 vulgo “Carocha”.

Pequenos ou grandes projectos pessoais tornam-se de extrema importância não para quem os vê, mas sobretudo para quem investe o seu esforço e dedicação, para o ego, para a alma. Ver que o nosso empenho e trabalho culmina num resultado visível, que nos estampa um sorriso na cara e nos motiva a continuar…

Porque muito já foi feito e muito ainda ficou por fazer, mas agora é hora de vestir o Fato-de-Macaco, arregaçar as mangas e sujar as mãos de óleo…

It’s a New Day But a Little Older!!!

A cada segundo, minuto, hora, dia, mês e ano que passam ficamos mais velhos. Por pouco que se vá notando no aspecto físico a idade vai aumentando sem que por vezes seja notado. A idade não é um sinal efectivo de maturidade ou de qualquer outra coisa, é apenas a materialização da passagem do tempo por nós mesmos.

Nunca dei muita importância ao meu aniversário nem ao dos outros, é um dia igual a tantos outros. Sim igual a tantos outros porque dia após dia fico mais velho, não é só no dia em que teoricamente será festejado o meu aniversário.

Desde o ano passado muitas coisas mudaram e muitas outras permaneceram tal e qual, com destaque para algumas lições de vida por sinal bem duras. Alguns projectos e desejos pessoais foram concretizados e outros nem por isso, mas tudo faz parte do crescer, e como tal crescer custa.

Por isso hoje apresento-me como uma nova versão do Nuno Santos, a versão 2.5.

Características da nova Versão:

– Nova interface, agora com um pouco mais de barba mal aparada e “semeada”
– Nada mais a salientar

E por este ano já chega de novidades, até para o ano.

1 de Agosto de 1990, 25 anos a espalhar mau feitio!

Por muito que desejes o melhor, esperas sempre o pior. E hoje isso aconteceu. Vinte e um anos depois, um piloto volta a morrer num Grande Prémio de Formula 1 após os eventos de Imola em 1994, onde morreram o austríaco Roland Ratzenberger e o brasileiro Ayrton Senna.. E é um dia triste para o automobilismo. Ars lunga, vita brevis, Jules.

DECIF 2015: Os Cães Ladram e a Caravana Passa

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Estamos a poucos dias de dar início à chamada “época crítica” dos Incêndios Florestais (Fase Charlie), mas muito pouco mudou face ao mesmo período do ano passado. Arrisco a dizer que estamos pior ainda.

Depois do trágico ano 2013, foram (pelo menos verbalmente e no papel) tomadas medidas para melhorar a protecção no combate aos incêndios, mas na prática pouco ou nada isto se verifica.

Somos voluntários é a desculpa mais ouvida para as falhas no cumprimento dos deveres que nos são impostos pela farda que envergamos, mais uma consequência da pequenez do pensamento tipicamente português. Mas onde está o orgulho de dizer “Voluntário por Opção, mas Profissional na Acção?”.

O meios Governamentais dizem haver um maior investimento no dispositivo de combate a incêndios, vangloriam-se um aumento dos meios disponíveis, do novo Equipamento de protecção individual e de que estamos melhor preparados para combater os incêndios florestais.

Mas será que se perguntam a si próprios se é realmente verdade? Mais meios humanos? Sim um aumento irrisório, mas em contrapartida os meios aéreos estão seriamente comprometidos devido à corrupção que envolve as entidades competentes. Novos EPI’s? Sim realmente foram distribuídos novos EPI’s todos bonitos (demasiado reflectores até) mas na verdade nem dão para equipar todos os elementos intervenientes.

Além disso ainda é possível ver na TV imagens de elementos empenhados no combate a incêndios a trabalhar e manga curta e chapéu. Onde é que está a protecção? Onde está a consciência desses elementos empenhados no combate aos incêndios? O primeiro passo passa por cada um de nós tomar consciência daquilo que está a fazer e ainda não é isso que acontece em grande parte das situações.

No campo dos meios empregues no combate aos incêndios sou da opinião que poderíamos fazer mais com menos. Sim, mais com menos. No fundo estamos mal habituados a usar os meios que temos há nossa disposição. Verifica-se uma corrida consumista aos maiores, mais caros e mais vistosos meios de combate sem que estes por vezes sejam adequados à orografia da zona de intervenção. Os meios aéreos na minha humilde opinião e eu nem percebo nada de “máquinas que voam” são completamente desajustados à realidade nacional.

Em primeiro lugar o nosso território é largamente ocupado por cadeias montanhosas, vales íngremes que constituem dificuldades ao uso de aeronaves de asa fixa (aviões), sim falo dos enormes Canadair’s C215 assim como os Dromader e Airtractor que sentem dificuldades em zonas mais montanhosas e sinuosas além do elevado tempo entre reabastecimentos ou scooping. Quanto às aeronaves de asa rotativa (helicópteros) também estes deveriam ser melhor distribuídos e talvez até ser investido um pouco mais em aeronaves ligeiras / médias deste tipo que apesar da autonomia reduzida possuem uma agilidade e eficácia muito elevadas.

O caso dos Kamov fez, faz e continuará a fazer correr muita tinta, mas uma grande parte das pessoas não faz a mínima ideia das capacidades e da aeronave que temos na nossa posse e que não aproveitamos. Uns dizem que foram extremamente caros, sim é verdade mas temos ao nosso dispor (em parte, e não contando que estão inoperacionais) 6 das aeronaves de asa rotativa tecnologicamente mais avançadas e poderosas em capacidade de carga suspensa, em manobrabilidade para não falar que é excelente para evacuações médicas e resgate. Mas continuaram a ser uns autênticos “monos” para quem olha superficialmente e se contenta em dizer que tudo está mal…

Continuaremos a ter gente que diz que os pilotos não sabem pilotar, que são demasiado conservadores, que não se querem arriscar, que fazem descargas fora do local ou demasiado alto. Mas será que já pensaram no porquê? Humm, desconfio que não e não vou ser eu a perder tempo a explicar coisas que as mentalidades pequeninas e formatadas nunca iriam entender…

Enquanto não se mudarem mentalidades continuaremos a ter falhas graves, a assistir a imagens pouco ortodoxas e a ouvir falar de escândalos e corrupção nas entidades responsáveis…

Como diz a célebre frase: “Os Cães Ladram e a Caravana Passa…”