Partir Antes da Primeira Linha de Àgua!

Ele caminha entre chamas e telhados abatidos
No olhar à esperança de sairmos deste inferno vivos
Na causa daria a sua vida pelo próximo
Soam as sirenes no quartel
Herói anónimo
O único no ultimo piso do edifício
Com uma criança nos braços
Felicidade, sacrifício
Corpo marcado por queimaduras tatuado
Acorda de noite sufocado pelas chamas do passado
Um fardo pesado, um fado embebido em magoa
Muitos partiram antes da primeira linha de água
Quantos voluntários no exercício da função
Ceifados deste mundo pelas chamas da escuridão
Jovens adolescentes bravos combatentes
Saudade e coragem no seio dos seus parentes
Soldado da paz, audaz, anjo na terra parte da cidade em direcção ao pico da serra

“Causa Perdida” – Dealema

Esperava não ter de escrever ou sequer pensar muito nisto, mas mais uma vez aconteceu. Mais colegas de luta perdidos ao serviço da população e da natureza. Muitas vezes criticados pela incompetência, ou pela serenidade das actuações. Mas isso é apenas um flash do que realmente se passa! Quantos é que já passaram noites e dias, suados, sujos, queimados e com cheiro a fumo numa luta desigual? E Quantos o fizeram por Amor à camisola?

Sim é uma resposta que muitos fazem, mas muito poucos são capazes de responder com assertividade. Sim somos voluntários, deveríamos ser Profissionais na acção mas acima de tudo somos o Exército mais barato do mundo e único no mundo inteiro.

A morte de uma pessoa é difícil de lidar e ainda mais de imaginar, mas quando vemos a notícia de que mais um companheiro morreu no combate aos fogos, queimados, consumidos pelo “Inferno” na terra é duro, saber que poderemos ser a próxima vítima e que poderemos não ter forças para o contrariar. Custa ainda mais olhar para as estatísticas e saber que nos últimos 33 anos morreram 207 Bombeiros em serviço.

“O trabalho dos bombeiros é uma guerra sem quartel. Morre-se e continua-se a lutar dia após dia, porque os bombeiros renascem das suas próprias cinzas”, acredita o presidente da Liga. “Os bombeiros não são melhores nem piores do que os outros homens e mulheres, mas têm um sentido de abnegação diferente, um sentimento de serviço e entrega a uma causa de uma dimensão sem dimensão.” – Jaime Marta Soares (Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses)

O nosso trabalho rege-se pelo “Podemos Não Voltar, mas Vamos” sim apesar das normas de segurança indicarem que “Primeiro Nós, Depois Nós e ainda Depois Nós” isso nunca acontece na prática porque o espírito e a adrenalina não o permitem. Salvar ou combater é a palavra de ordem e isso torna-nos em máquinas. Máquinas essas que por vezes falham.

Ainda ontem a notícia de que 4 viaturas de combate a incêndios dos bombeiros foram consumidas pelas chamas enquanto estes conseguiram escapara assombram-me! Sou jovem, cheiro de vontade e espírito e sobretudo um inexperiente motorista de Pesados, e saber que por vezes tudo se vira contra nós, mesmo as máquinas que não deveriam falhar deixam-me a pensar. Nada é fácil e tudo tem os seus riscos, e eu assumo os meus sem olhar para trás.

Não é um serviço que se tome de ânimo leve, é sujo, desconfortável e acima de tudo duro e conflituoso, mas depois de começar é impossível sair! Fica no Sangue!

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