Reflexão: Automobilismo

 

Existem corridas de automóveis quase desde que os carros movidos a gasolina foram inventados, substituindo assim as tradicionais corridas de carroças puxadas por cavalos. A primeira corrida foi organizada em França no ano de 1894 anos em que os carros era extremamente rudimentares, lembrando uma tradicional carroça com um motor de combustão interna.

Nasci apenas no inicio da década de 90, anos em que as corridas já eram largamente difundidas restando as recordações dos loucos anos 70, 80 e 90 anos que por muitos são considerados como os melhores anos da competição automóvel, anos esses que trouxeram os míticos Grupo C a Le Mans, os Grupo B nos Rallys e os verdadeiros F1 1.5 Turbo que ainda tiravam partido do efeito de solo, e que literalmente voavam baixinho numa nuvem de faíscas.

Quase 22 anos depois do meu nascimento olho para o meu interior e vejo que seria impossível para mim viver sem o desporto automóvel. Nunca tive muitas oportunidades de assistir ao vivo às melhores competições do mundo, mas aos poucos vou conseguindo alcança-las. Ainda vivo num mundo de sonhos, onde o cheiro a gasolina e a borracha queimada reinam. Sítio onde se encontra o Homem e a Máquina em perfeita harmonia, capazes de conseguir feitos fantásticos que por vezes deixam lágrimas nos olhos.

Muitos pilotos passaram pelas pistas e troços de rallys, muitos pereceram às mãos do destino ou falhas mecânicas mas faziam-no por paixão, gosto e amor pelos automóveis e velocidade. Grandes nomes figuram na minha lista de sonho, Ayrton Senna, Alan Prost, Nigel Mansel, Juan Manuel Fangio, Niki Lauda, Damon Hill, James Hunt, Jacques Vilneuve, Roland Ratzenberger, Ari Vatannen, Timo Salonen, Annu Mikkola, Juha Kankkunen, Colin Mcrae, Richard Burns, Petter Solberg, Jari-Matti Latvala, Ott Tanak entre muitos outros.

O Automobilismo sempre envolveu alguns riscos, assim como todos os desportos. Desafiador das leis da física e da mecânica o automobilismo sempre envolveu a capacidade de os pilotos levarem as suas máquinas o mais longe possível, tocar nos limites ou até mesmo ultrapassa-los mas como tudo na vida tanto os pilotos como as máquinas são falíveis.

Esta semana foi marcada por vários acontecimentos, em primeiro Marcus Gronholm foi hospitalizado depois de ter sofrido um violento acidente quando pilotava um potente Ford Fiesta de rallycross, tendo perdido a consciência mas de momento já se encontra estável e em recuperação. Num mundo de homens Maria de Villota é de momento a única mulher piloto no mundo da F1 sendo piloto de testes da equipa Marussia Formula 1 mas o azar também lhe bateu a porta tendo batido fortemente contra um camião de apoio quando realizava um teste de velocidade em linha recta tendo ficado gravemente ferida e em risco de vida.

Maria de Villota hospitalizada e em risco de vida

Como se não bastasse o campeonato do mundo tem vindo a tornar-se um pouco monótono e quando isto parece melhorar com a entrada da VW em 2013 e a possível entrada da Toyota em 2014 eis que a Ford ameaça bater com a porta e mudar-se de armas e bagagens para o IRC.

Para quem é conhecedor da arte de apreciar carros e conhece o seu mundo de trás para a frente certamente já ouviu falar em Sergio Pininfarina, designer e projectista dos mais belos carros italianos de sempre e para mim do mundo. Desenhou variados Alfa Romeu, Ferrari, Lancia entre outros marcando sempre pelas suas linhas agressivas e ao mesmo tempo simples e eficientes. Faleceu aos 85 anos mas deixa um legado que lhe irá conferir a imortalidade no mundo do automobilismo.

Pininfarina desenhou alguns dos mais belos Ferrari de sempre tal como o mítico Ferrari F50:

Os automóveis clássicos são inesquecíveis, as suas formas e design assim como o verdadeiro ruído dos motores carburados marcam uma parte da história do mundo automóvel, e quando se juntam milhares destes exemplares de corrida num festival só pode resultar em sucesso, a isto chama-se Goodwood Festival of Speed 2012. Conhecido pela Fórmula 1, Rali, Le Mans, MotoGP, carros clássicos e exóticos, glamour britânico e tempo incerto é um mundo de sonho para aqueles que vivem o mundo automóvel.

Lugar este onde os oito cilindros americanos, motores em V italianos, quatro cilindros japoneses, turbo-compressores, rotores, rateres e ‘burnouts’, sem esquecer o cheiro ‘doce’ da borracha queimada transportam os visitantes para um lugar inesquecível.

Muito mais haveria para escrever, reviver e sonhar mas isso ficará para um próximo episódio.

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