Atitude!!!

10499635_823346774355771_2027313236_o
Atitude!!!

O Eterno “Se…”

1004854_496581593754668_2003073644_n
 

O verão está aí à porta e o Dispositivo de Combate a Incêndios está de novo montado, mas tal como já era de esperar sem grandes alterações no que à segurança pessoal dos elementos integrantes das equipas diz respeito.

Há boa maneira Portuguesa os equipamentos de protecção individual tardam em chegar, assim como tardam em ser desbloqueados os pouco mais de 700 mil euros que Timor-Leste doou no final do verão passado aos Bombeiros Portugueses.

140.949 mil hectares ardidos e acima de tudo 9 mortes sendo 8 delas Bombeiros que integravam o dispositivo de combate a incêndios deveria ser um motivo mais do que suficiente para que tivessem sido tomadas as providencias necessárias durante a época de Inverno.

É muito bonito vir para os meios de comunicação social dizer que irá haver novo equipamento de protecção individual melhor e mais resistente ao calor e às chamas, mas este tarda em chegar! Além de que muitas as associações não tem capacidade financeira para adquirir destes equipamentos para todos os seus Elementos.

O Cirurgião Celso Cruzeiro, coordenador unidade de queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra remata “SE o material, sobretudo os fatos e as botas, fosse adequado, podia ter minimizado a gravidade das lesões”, “Alguns usam equipamento que arde e cola-se à pele. Outros já têm equipamento mais ‘sofisticado’, na medida em que não arde, mas deixa passar calor e provoca queimadura na mesma” realçando que “o equipamento ideal para quem pisa terrenos em chamas é o que não arde nem aquece”.

Tudo isto é muito bonito no papel e nos meios de comunicação social, mas a realidade é praticamente igual à do ano passado, tirando o facto de que cada um dos elementos irá receber um “Manual de Bolso” com informação sobre segurança no combate aos incêndios, que dá sempre jeito para ler nos pequenos intervalos do combate às chamas (cof cof cof)…

O calor chegará assim como os incêndios, o panorama irá repetir-se sem que o Dispositivo de Combate a Incêndios se negue ao desempenho das suas funções, isto porque tal como Steve Jobs dizia “Não me interessa ser o Homem mais rico de cemitério. […] Ir para a cama à noite e sentir que fizemos algo fantástico […] isso é que me importa.”

Tantas Coisas Poderiam Ter Sido Evitadas em 2013…

1543_652574658099651_1106726547_n

O ano 2013 poderia ser considerado de antemão um ano de azar, segundo a superstição do número 13.

Avaliando agora tudo o que se passou não foi realmente um grande ano. Muitas dúvidas, muito desleixo, muitos projectos e ideias guardadas na gaveta e muito pouca vontade de as concretizar.

Alguns dos objectivos pessoais propostos foram cumpridos, e uns tantos outros nem por isso.

Opções certas e erradas ditaram o caminho percorrido.

O verão previa-se o mais fresco dos últimos 40 anos, mas não foi exactamente o que aconteceu. O flagelo dos incêndios florestais voltou em força, queimando tudo e todos os que se opunham. 8 companheiros na batalha pela paz foram consumidos e isso dá que pensar.

Relatórios indicam falhas nas chefias, ignorância e falta de experiência dos elementos no terreno, material de protecção individual e viaturas desajustadas. Tudo isso tem alguma verdade, eu concordo que sim, mas é sempre mais fácil culpar quem algo tenta fazer, mesmo quando as coisas não correm bem.

Experiências adquiridas quer para o bem, quer para o mal moldam a nossa personalidade. Podemos fazer retrospectivas do passado, mas este só será realmente útil se formos capazes de aprender com os erros, tornando-nos mais fortes.

O medo envolve-nos mas deixa-nos alerta, e maior é a virtude de conseguir controlar o medo e jogar com ele a nosso favor… Confiança é necessária. mas em demasia leva-nos ao fundo, e eu aprendi bem a lição.

É difícil parar e pensar que não cumprimos tudo aquilo a que nos propusemos, mas sem objectivos não somos nada nem ninguém.

O que tiver de ser, será. Nós decidiremos…

A Primeira Vez!!!

 

SANY0436-2

Hoje acordei estremunhado ao toque da Sirene! Saltar da cama foi imediato e o coração, tal como sempre batia forte e a adrenalina corria nas veias.

Fardo-me à pressa, calças e camisola vestidas e botas desapertadas, bem ao meu estilo apressado e aí vou em direcção ao quartel.

À chegada o portão já estava aberto, mas o VSAE ainda não saíra. Chamam por mim apressadamente dizendo. “Nuno, tens de levar a Iveco”, o meu coração bateu ainda mais depressa e as minhas pernas tremiam!

Era necessária a intervenção de uma Viatura pesada e não havia de momento motoristas de pesados disponíveis, apenas eu. O maçarico, sim acreditem que quando me sentei no camião eu tremia realmente, afinal era a minha primeira vez ao volante de um camião numa real situação de emergência.

Não tenho “medo” de sair com qualquer tipo de viatura pesada, mas uma situação de emergência é completamente diferente. As sirenes tocam, o ritmo de condução tem de ser mais elevado, além disso, é necessário cuidados redobrados com todos os outros que circulam na via, que nem sempre são os mais condescendentes com a passagem de veículos prioritários.

A sensação foi de “ter caído de pára-quedas” ao volante do VSAE 01, nunca antes tinha conduzido o camião, e apesar de não ser um bicho-de-sete-cabeças a sua condução é sempre estranho. A dureza da caixa de velocidades reclamava um arranque a frio. Queixa-se, relutante a engrenar as primeiras velocidades. Mas como tudo na vida é preciso saber dar a volta as coisas, e tirar o real proveito.

No fim de contas tudo correu bem, a cada metro percorrido sentia-me mais confortável e tudo começou a sair naturalmente.

Assim é o natural sentido das coisas, primeiro estranha-se, mas depois entranha-se e foi o que aconteceu.

A primeira vez fica marcada e esta não será excepção. A primeira vez “real” do maçarico!

Agora venha um Kamaz 4911 Extreme, Tatra 815 ou Iveco Trakker Evolution 3 do Dakar que eu sou capaz de domar a fera, só preciso de lhe tomar o gosto e o pulso, o resto o coração encarrega-se de conduzir!

 

Ainda a Pensar!

14803_640683512622099_894242166_n

O País está em chamas, o céu coberto de cinza e em vez de ar, respiramos fumo. É este o cenário que o nosso país atravessa sem que se veja um fim à vista para esta calamidade.

Por mim próprio falo. Os noticiários dão conta de inúmeros incêndios florestais de grandes dimensões, e eu estive envolvido num deles (Mondim de Basto) durante mais de 18h consecutivas.

As condições climatéricas, o desordenamento e desleixo no cuidado com a floresta Nacional e a orografia das serras complicam o combate aos incêndios, mas sobretudo começa-se a notar o desgaste do Dispositivo Nacional de Combate aos Incêndios Florestais. GRIF’s, GRUATAS e equipas deslocam-se sucessivamente de incêndio para incêndio não tendo o tempo necessário para o descanso e recobro do esforço exercido.

A orografia das serras são um das maiores barreiras ao combate aos fogos, sucessivos vales encaixados que se tornam demasiado perigosos para o combate directo, e aos que ousam ataca-lo directamente nesses mesmos locais são remetidos para o seu lugar, muitas vezes com mazelas ou ainda pior que isso.

Hoje foi o dia do Funeral do Jovem Bernardo Figueira que faleceu devido aos ferimentos infligidos pelo combate ao fogo. Revejo-me na imagem deste jovem Bombeiro. 23 anos, recém licenciado em Informática e sobretudo um Bombeiro com vontade de ajudar e combater. Pereceu perante uma luta desigual sem que os companheiros o pudessem ajudar. Não obstante as noticias correm depressa demais, desta vez uma jovem Bombeira de 21 anos oriunda do Carregal do Sal que pereceu durante o combate ao Incêndio na Serra do Caramulo, ao passo de 2 Bombeiros gravemente feridos e 3 deles com ferimentos mais ligeiros.

É impensável que em praticamente duas semanas tenham morrido 5 bombeiros e centenas tenham ficado feridos!

“E, se conheço a voluntariedade, a força de vontade e abnegação de todos os jovens que combatem os incêndios, também sei que não devemos contribuir para termos heróis mortos ou feridos por causa de uma certa ingenuidade e vontade aventureira de combater todos os fogos custe o que custar sem necessariamente e obrigatoriamente se avaliar o risco do benefício ou custo em que o custo primeiro é a vida!”

Todos nós que estamos por dentro necessitamos da adrenalina para viver, e nada nos deixa mais realizados que uma missão cumprida com sucesso, mas é inegável estamos a chegar ao limite do que é Humanamente possível.