Le Mans 16 17

 

“Se há uma coisa que permanece imutável no Automobilismo, é que nada permanece imutável.
Os carros são constantemente destruídos e reconstruídos.
Novas ideias são implementadas, outras abandonadas.
Pilotos e Equipas aparecem e desaparecem.
Calibrar a máquina é uma busca infindável, uma procura contínua pela configuração ideal.
Conduzir um carro de corrida é mais que uma ciência, é uma arte.”

O competição automóvel é mais do que atingir a perfeição mecânica e a excelência na pilotagem, é um misto de “tudo e mais alguma coisa” que se possa imaginar e por fim ainda existe o factor sorte.

Tudo isto ficou nitidamente provado no final das 24 Horas de Le Mans 2016. Onde tudo se dava por vencido, o Toyota TS50 número 5 entrava nos últimos 5 minutos de corrida com o Porsche 919 a mais de 2 minutos atrás quando à entrada da famosa recta das Hunaudières, Kazuki Nakajima comunica com a equipa “I have no Power”. Instalou-se o caos e a reviravolta mal havia começado.

Problemas na unidade híbrida faziam com que o Toyota TS50 se arrasta-se com dificuldade e facilmente foi alcançado pelo Porsche. Perdendo uma corrida que liderou praticamente de fio-a-pavio nos últimos 5 minutos com um golpe duro de se digerir.

Não me vou alongar muito nas palavras, pois a foto fala por si quanto à desolação sentida pela equipa!

“Foi a Toyota que Perdeu a Corrida e não a Porsche que a Ganhou!!!”

 

Vícios e Vícios: 24h Le Mans 2015

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Nada somos sem as nossas pequenas coisas, sem os nossos pequenos vícios e paixões. Para uns louco, obstinado e persistente, mas o vício e a paixão pelo desporto motorizado é maior que tudo e seria impensável perder aquela que é considerada a maior prova desportiva do mundo pela BBC a par dos Jogos Olímpicos. As 24H de Le Mans são o pináculo do desenvolvimento mecânico do desporto automóvel, uma corrida de resistência que mais parece uma corrida de sprint de 24H.

Pilotos e máquinas percorrem o mítico traçado de La Sarthe, circuito este que com os seus 13,680 Km circundam a pequena cidade de Le Mans no sul de França.

Como Português e patriota, defendo com afinco as cores Nacionais assim como os nossos pilotos que por muito “desconhecidos” que sejam da generalidade de pessoas, sim, Portugal é ainda um país de “futeboleiros”. Nesta edição de 2015 as cores Nacionais estão representadas pelo Filipe Albuquerque, Tiago Monteiro, Pedro Lamy, João Barbosa e Rui Águas.

Pouco mais de 6 Horas passaram desde o arranque e os Portugueses já escreveram o seu nome na Histórias das 24H de Le Mans, mais concretamente Filipe Albuquerque que tripula o Audi R18 e-tron quattro nº 9 que não só conseguiu atacar os Porsche, como também bateu duas vezes o recorde da volta mais rápida em corrida.

Albuquerque fez duas voltas mais rápidas seguidas, a primeira em 3m18,477s e a segunda em 3m17,647s. Não só o português conseguiu bater o recorde da configuração atual, feita em 2010 por Loïc Duval, no Peugeot 908, em 3m19,074s, como também bateu os 3m18,4s de Pedro Rodríguez num Porsche 917, feito numa versão mais curta e sem chicanes na reta Mulsanne, recorde existente desde 1971.

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Mais uma vez a noite adivinha-se difícil, mas ao mesmo tempo empolgante o que motiva ainda mais o seguimento da prova a par-e-passo. Desta vez apenas pela TV, e live-timming na Internet, mas sem nunca perder o sonho de um dia estar pessoalmente em Le Mans…

E que amanhã tenhamos a bandeira Portuguesa no lugar mais alto do pódio…

Força Filipe Albuquerque, Tiago Monteiro, Pedro Lamy, João Barbosa e Rui Águas….

82º Edição das 24 Horas de Le Mans

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Ano após ano tornei estas 24 horas numa espécie de ritual onde tomo especial atenção à transmissão das 24 horas de Le Mans, a competição rainha  do Endurance Automóvel.

Esta edição trás especial orgulho devido à participação do Filipe Albuquerque aos comandos de uma Audi R18 E-tron, assim como de Álvaro Parente aos comandos de um Ferrari F 458 Italia e do Pedro Lamy no Aston Martin V8.

Depois do incrível acidente de Loic Duval ao literalmente desfazer o Audi R18 E-tron, a Audi foi capaz de fazer renascer o carro das cinzas e coloca-lo em competição, algo que pensava eu ser impossível tal foi o estrago.

Tinha muitas esperanças no Filipe Albuqerque, e num bom resultado que se desfez quando num período de chuva em que o Safety-car estava em pista foi literalmente abalroado pelo Ferrari da AF Corse com Sam Bird ao volante.

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Álvaro Parente também não foi feliz, tendo o Ferrari da equipa RAM se debatido com vários problemas mecânicos, assim como Pedro Lamy que liderava a sua categoria até ser obrigado a parar nas Boxes com problemas perdendo várias posições.

Apesar dos azares Nacionais a prova mantém a sua mística e espectaculariade, pelo que o ritual se manterá com uma “directa” a assistir à espectáculo motorizado das 24 Horas de Le Mans.

E que num futuro próximo possa estar de corpo e alma presente no Circuito de La Sarthe.

Reflexão: Automobilismo

 

Existem corridas de automóveis quase desde que os carros movidos a gasolina foram inventados, substituindo assim as tradicionais corridas de carroças puxadas por cavalos. A primeira corrida foi organizada em França no ano de 1894 anos em que os carros era extremamente rudimentares, lembrando uma tradicional carroça com um motor de combustão interna.

Nasci apenas no inicio da década de 90, anos em que as corridas já eram largamente difundidas restando as recordações dos loucos anos 70, 80 e 90 anos que por muitos são considerados como os melhores anos da competição automóvel, anos esses que trouxeram os míticos Grupo C a Le Mans, os Grupo B nos Rallys e os verdadeiros F1 1.5 Turbo que ainda tiravam partido do efeito de solo, e que literalmente voavam baixinho numa nuvem de faíscas.

Quase 22 anos depois do meu nascimento olho para o meu interior e vejo que seria impossível para mim viver sem o desporto automóvel. Nunca tive muitas oportunidades de assistir ao vivo às melhores competições do mundo, mas aos poucos vou conseguindo alcança-las. Ainda vivo num mundo de sonhos, onde o cheiro a gasolina e a borracha queimada reinam. Sítio onde se encontra o Homem e a Máquina em perfeita harmonia, capazes de conseguir feitos fantásticos que por vezes deixam lágrimas nos olhos.

Muitos pilotos passaram pelas pistas e troços de rallys, muitos pereceram às mãos do destino ou falhas mecânicas mas faziam-no por paixão, gosto e amor pelos automóveis e velocidade. Grandes nomes figuram na minha lista de sonho, Ayrton Senna, Alan Prost, Nigel Mansel, Juan Manuel Fangio, Niki Lauda, Damon Hill, James Hunt, Jacques Vilneuve, Roland Ratzenberger, Ari Vatannen, Timo Salonen, Annu Mikkola, Juha Kankkunen, Colin Mcrae, Richard Burns, Petter Solberg, Jari-Matti Latvala, Ott Tanak entre muitos outros.

O Automobilismo sempre envolveu alguns riscos, assim como todos os desportos. Desafiador das leis da física e da mecânica o automobilismo sempre envolveu a capacidade de os pilotos levarem as suas máquinas o mais longe possível, tocar nos limites ou até mesmo ultrapassa-los mas como tudo na vida tanto os pilotos como as máquinas são falíveis.

Esta semana foi marcada por vários acontecimentos, em primeiro Marcus Gronholm foi hospitalizado depois de ter sofrido um violento acidente quando pilotava um potente Ford Fiesta de rallycross, tendo perdido a consciência mas de momento já se encontra estável e em recuperação. Num mundo de homens Maria de Villota é de momento a única mulher piloto no mundo da F1 sendo piloto de testes da equipa Marussia Formula 1 mas o azar também lhe bateu a porta tendo batido fortemente contra um camião de apoio quando realizava um teste de velocidade em linha recta tendo ficado gravemente ferida e em risco de vida.

Maria de Villota hospitalizada e em risco de vida

Como se não bastasse o campeonato do mundo tem vindo a tornar-se um pouco monótono e quando isto parece melhorar com a entrada da VW em 2013 e a possível entrada da Toyota em 2014 eis que a Ford ameaça bater com a porta e mudar-se de armas e bagagens para o IRC.

Para quem é conhecedor da arte de apreciar carros e conhece o seu mundo de trás para a frente certamente já ouviu falar em Sergio Pininfarina, designer e projectista dos mais belos carros italianos de sempre e para mim do mundo. Desenhou variados Alfa Romeu, Ferrari, Lancia entre outros marcando sempre pelas suas linhas agressivas e ao mesmo tempo simples e eficientes. Faleceu aos 85 anos mas deixa um legado que lhe irá conferir a imortalidade no mundo do automobilismo.

Pininfarina desenhou alguns dos mais belos Ferrari de sempre tal como o mítico Ferrari F50:

Os automóveis clássicos são inesquecíveis, as suas formas e design assim como o verdadeiro ruído dos motores carburados marcam uma parte da história do mundo automóvel, e quando se juntam milhares destes exemplares de corrida num festival só pode resultar em sucesso, a isto chama-se Goodwood Festival of Speed 2012. Conhecido pela Fórmula 1, Rali, Le Mans, MotoGP, carros clássicos e exóticos, glamour britânico e tempo incerto é um mundo de sonho para aqueles que vivem o mundo automóvel.

Lugar este onde os oito cilindros americanos, motores em V italianos, quatro cilindros japoneses, turbo-compressores, rotores, rateres e ‘burnouts’, sem esquecer o cheiro ‘doce’ da borracha queimada transportam os visitantes para um lugar inesquecível.

Muito mais haveria para escrever, reviver e sonhar mas isso ficará para um próximo episódio.