Libélula ou Libelinha

Libelinha ou mesmo Libélula é uma alcunha que um dia “alguém” me decidiu colocar. Coincidência ou não, a alcunha acaba por me assentar bem.

A libélula, vulgarmente conhecida por Libelinha é um insecto de corpo fusiforme, olhos grandes, e dois pares de asas semi – transparentes.

Ser “comparado” com um insecto voador é engraçado, sabendo que eu tenho uma paixão pela aeronáutica e pelo voo. Novamente coincidência ou não as aeronaves de asa rotativa, vulgarmente conhecidas por Helicópteros são aquelas que mais se identificam comigo, e mais uma vez o Aérospatiale Alouette III tem muitas semelhanças com este pequeno insecto voador.

Helicóptero de pequeno porte, ágil, com uma fuselagem esguia e os vidros frontais, grandes e arredondados a fazer lembrar os grandes olhos de uma libelinha.

E pronto, de uma brincadeira como uma alcunha se encontram várias características que nos identificam de um modo coerente.

Mais Rally’s e Menos Futebol

Adoro quando por vezes em conversas de café, ou mesmo de momento tentam falar comigo acerca de Futebol, pensando que eu sou mais um daqueles que gosta e está a par do que se passa no mundo do Futebol. (In)Felizmente eu não sou um desses, eu não vejo Futebol regularmente, e nem estou a par das transferências de jogadores, ou melhor, eu pouco mais sei que o nome dos principais clubes nacionais e mundiais.

Por outro lado orgulho-me de ser fanático por desporto automóvel, desde o Todo-o-Terreno, Velocidade e principalmente Rally’s, sim eu acompanho a par-e-passo o Campeonato do Mundo de Rally, o Campeonato Nacional de Rally e o Campeonato do Mundo de F1, e é por esse motivo que me incomoda um pouco o excesso de protagonismo dado ao Futebol.

No mundo do Futebol fala-se de milhões na transferência de um jogador, ordenados milionários, corrupção, confrontos entre adeptos, tudo isto me faz um pouco de confusão, e ao que parece para a grande parte dos portugueses não existe desporto para além do Futebol e isso entristece-me bastante.

Não ligo ao Futebol, e porquê? Simplesmente porque não me desperta nenhuma sensação de emoção, ou mesmo euforia, sinceramente o espectáculo é um pouco diminuto, principalmente no Futebol Português que cada vez tem menor interesse e espectáculo. E agora pergunto porque os desportos motorizados? Em primeiro lugar eu cresci a brincar com carrinhos, e desde cedo despertei para o mundo dos desportos motorizados, primeiro pela F1 que ainda dava todos os Domingos na RTP1, depois através do meu pai que era e ainda é um aficionado dos Rally’s. Tudo isto acabou por me influenciar um pouco, mas essa influência tornou-se numa paixão no momento em que senti o arrepio, a emoção e a sensação que fica após a passagem de um carro de corrida.

Não sou capaz de descrever a sensação sentida nas bancadas de um circuito ao ouvir a banda sonora criada por dezenas de motores em alta rotação, e a emoção que uma luta acesa entre dois pilotos desperta. É indescritível também a sensação que fica após a passagem de um carro de Rally num troço, e onde no meio da confusão e da nuvem do pó deixada pelo carro se ouve palavras tão simples como “Espectáculo”. Além disso acaba por se criar um ambiente muito agradável com todos os espectadores fixados no real espectáculo que é o desporto automóvel.

Muito mais haveria para dizer, muitos histórias para contar, mas por muito que se tente nunca se consegue verdadeiramente transmitir a real emoção e sensação deixada pelas passagens nos troços de Rally’s, por isso  apelo a todos os portugueses que olhem um pouco mais para além do Futebol. E é caso para dizer “Mais Rally’s e Menos Futebol”.

Apetece-me Gritar Bem Alto “Vodafone Rally de Portugal 2011 – Eu Vou!”

 

Apesar de ainda faltarem 12 dias para o ìnicio da 45ª edição do Vodafone Rally de Portugal, eu já não consigo esconder a ansiedade e adrenalina que o Rally de Portugal desperta em mim. Podia ser um grande concerto musical com a melhor banda do mundo, um jogo de futebol entre as melhores selecções do mundo, mas não, é o Vodafone Rally de Portugal 2011.

É caso para dizer que “Há Vícios e Vícios, mas para quem gosta de carros é difícil encontrar um melhor que o cheiro a gasolina e a borracha queimada”, mas neste caso o Rally de Portugal tem um significado especial. É certo e sabido que eu sou um grande aficionado dos desportos automóveis, desde a F1,  GT’s até aos Rally’s, mas no fundo são os Rally’s que eu aprecio com maior expressividade. Cresci a ouvir nomes como Ari Vatannen, Markku Allen, Carlos Sainz, Xavi Pons, Gigi Galli, Richard Burn’s, Colin Mcrae, entre muitos outros, e ouvir o roncar dos míticos Lancia Delta Integralle, Toyota Celica GT-4, Subaru 555, Subaru Impreza, Ford Escort Cosworth, Ford Focus, Citroen C4, e senti com grande tristeza a noticia da morte de Ayrton Senna, Richard Burns e Colin Mcrae, pilotos com excelentes capacidades de pilotagem e acima de tudo uma alma e temperamento muito fora do comum.

Não tendo nascido na mítica era dos Rally’s (Grupo B), já assisti a algumas mudanças nas caracteristicas dos carros, e tive o privilégio de ver pela ultima vez ao vivo e a cores a passagem dos carros WRC 2.0 e irei este ano ver pela primeira vez também os novos WRC 1.6.

É indescritível a sensação deixada após cada passagem, o pó, a lama, o som e a emoção e o ambiente que é criado pelos espectadores. A resistência à chuva ao frio e ao pó marcam o ambiente de um verdadeiro Rally, e não existem palavras para descrever os gritos e os aplausos que surgem por entre o pó, após a passagem de um carro num “gancho”, onde no meio de tanta confusão e emoção se soltam palavras tão simples como “espectacular”, e onde o tremer do chão e o roncar dos motores criam arrepios.

Admiro o convívio entre milhares de aficionados, de diversas nacionalidades que são capazes de criar um ambiente único e que tornam os Rally’s algo de muito mais do que apenas corridas. Não se torna em apenas mais uma corrida, mas sim um evento capaz de proporcionar todo o tipo de emoções que o ser humano é capaz de descrever.

Tendo sido considerado pelos melhores pilotos da modalidade um dos melhores e mais duros Rally’s do Mundo, onde percorria as serras do Norte e Centro do país de lés-a-lés, mas actualmente o Rally mudou-se para para o Sul e começa a ganhar o seu próprio espaço nas Especiais Algarvias. Não é melhor, nem pior, mas antes diferente, e por isso, não há que fazer qualquer comparação entre o novo e o velho Rali de Portugal. É possível vibrar com a versão de hoje e ter saudades de palmilhar os locais de ontem. No fundo, nutrir uma paixão pelo “Delta Integralle”, é perfeitamente compatível com as saudades do roncar do “Stratos”.

Apesar de tudo, os caminhos que fizeram a história do Rali de Portugal, não merecem ficar órfãos da competição automóvel. Por esse motivo, continuo a alimentar o sonho de que um dia, se voltem a acender fogueiras nas florestas de Fafe e Arganil…