VW 1302 – Ao Fim do 3º Mês de Restauro

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Bem, acabei de atingir o 3º mês de restauro do “Mal Amado” VW 1302 de 1972. O tempo não tem sido muito, assim como o frio que já se faz sentir não tem ajudado à produtividade do restauro, mas não está parado de todo.

O Chassis está completamente limpo e brevemente irá à “mestra” para serem soldados os paineis de chão correctamente, seguindo-se imediatamente a sua pintura.

As peças novas e de substituição vão chegando aos poucos, kit’s de borrachas, bomba de travão, foles das transmissões, bombitos de travão, rótulas da direcção e suspensão, e tudo se vai integrando para que seja montado a seu tempo.

Mas os trabalhos de limpeza ainda não terminaram, pequenas peças como o sistema de pedais, barra estabilizadora e respectivos suportes, alavanca do travão de mão foram limpos, desengordurados e pintados com tinta de alta resistência. Os parafusos foram também limpos um por um, e acreditem que mesmo depois de 40 anos de idade, parecem novos.

Agora falta apenas terminar a limpeza do sistema de direcção e o sistema de travagem (tambores). Mas já dei inicio também á limpeza da caixa de velocidades, e arrisco a dizer que já vi caixas de velocidades novas com pior aspecto! =P

Sempre soube que este é um projecto a longo prazo, e tenho a noção que ainda mal comecei, mas o que é certo é que ver resultados a aparecer fruto do nosso esforço e dedicação é muito gratificante.

Tal como diziam nuns certos desenhos animados da minha infância “Não percam o próximo episódio, porque nós também não”…

VW 1302 – Resumo do 1º Mês de Restauro

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Pouco mais de 1 mês (30/08/2015) passou desde o inicio do projecto de restauro do VW 1302 de 1972… Tal como já era esperado este projecto é complicado e sobretudo moroso, pois trata-se de um carro com 43 anos de idade em que muitos dos seus parafusos nunca haviam sido desapertados desde o dia em que foram montados e apertados na linha de montagem da VW em Estugarda.

O VW 1302 não se trata de um qualquer VW “Carocha”, trata-se de um dos 4 modelos apelidados de Super “Carocha” cujos motores eram um pouco mais potentes que os “tradicionais” VW 1100, 1200, 1300 ou 1500, facto este que torna todo o projecto de restauro ainda mais interessante. No fundo a maioria das diferenças prendem-se ao nível do sistema de direcção, motor e um ou outro pormenor na carroçaria.

Quando chegou aqui há nossa garagem, estava bastante maltrado, muita ferrugem, muita sujidade fruto de uma estadia de 8 anos ao relento. Há chegada do reboque notou-se logo o primeiro problema, os travões estavam presos e calcinados pelo tempo de paragem, pelo que foi necessária alguma força bruta, e claro algum engenho (nada que uns pares de rodinhas e uma pequena tábua não resolvam) para colocar o carro no local pretendido.

Após separar a carroçaria do chassis, foi tempo de começar a limpeza da sujidade mais visível e grosseira, folhas, terra, musgo tudo foi limpo. Logo em seguida começamos a desapertar as rodas, o que não foi tarefa fácil pois alguns dos pernos estavam mais teimosos. Removidas as rodas, e colocado o chassis sobre dois pares de preguiças, demos inicio à remoção das tubagens de óleo dos travões e respectiva bomba de travão.

A limpeza do chassis foi dura e demorada pois os painéis de chão estavam muito danificados, o quais removemos e que dão agora lugar para uns painéis novinhos que apenas precisam de ser soldados no respectivo lugar. Outro dos pormenores é que o chassis vinha coberto por uma camada grossa de isolante tipo alcatrão que levou bastante tempo a remover a antes que se pudesse passar ao processo de escovar e lixar toda a superfície até “à chapa”.

Paralelamente fomos removendo o sistema de direcção, suspensão e caixa de velocidades, para então se efectuar uma limpeza pormenorizada a cada um dos componentes e respectiva substituição de borrachas ou vedantes necessários.

Limpo o chassis, é agora tempo de dar atenção aos componentes mais pequenos, braços de suspensão, direcção, alavanca de travão de mão, pedais, tudo está a ser limpo de modo a ficar pronto para receber uma camada de tinta protectora contra a corrosão. É um processo demorado e de muita paciência, a limpeza de todos estes componentes (e ainda falta um bom bocado para limpar todas as peças, parafuso por parafuso, peça por peça), mas é este pormenor que torna o processo ainda mais interessante, sobretudo único e até sentimental. Aos poucos e poucos o trabalho vai avançando e os resultados começam a ser visíveis, pelo que espero que esta fase dure cerca de mais 1 mês até ter o grosso dos componentes do chassis, suspensão e direcção limpos, prontos a pintar, rever e montar de novo.

A montagem será um processo muito importante, pois será o momento da juntar tudo de novo, substituindo as borrachas, tubos de travão, rótulas de direcção, casquilhos e um ou outro elemento mais desgastado. Será então altura de em paralelo com a montagem do chassis e componentes gerais dar atenção à caixa de velocidades e motor que serão limpos e revistos, antes de entrarmos na tarefa hercúlea que será decapar, lixar e reparar toda a carroçaria inconfundível do pequeno VW 1302 “Carocha”.

Tal como diziam nuns certos desenhos animados da minha infância “Não percam o próximo episódio, porque nós também não”…

VW 1302 “Carocha”


O pequeno e icónico automóvel VW “Carocha” apareceu no longínquo ano de 1936 quando a VW construiu o primeiro exemplar daquele que pouco tempo mais tarde seria apelidado de “O Carro do Povo”.

Hitler tinha ascendido ao poder da Alemanha e estava comprometido em modernizar a Alemanha e recuperar a economia do país. O governante Alemão era um entusiasta por carros desde a sua juventude e via com bons olhos a ideia de haver um “Carro do Povo”.

Durante o ano de 1933, Hitler tinha uma lista de exigências para a a sua ideia de “O Carro do Povo” e eram as seguintes:

– O carro deveria transportar dois adultos e três crianças (uma típica família alemã da época, e Hitler não queria separar as crianças de seus pais).

– Deveria alcançar e manter a velocidade média de 100 km/h.

– O consumo de combustível, mesmo com a exigência acima, não deveria passar de 13 km/litro (devido à pouca disponibilidade de combustível).

– O motor que executasse essas tarefas deveria ser refrigerado a ar, pois muitos alemães não possuíam garagens com aquecimento.

– O carro deveria ser capaz de carregar três soldados e uma metralhadora.

– O preço deveria ser menor do que mil marcos imperiais (o preço de uma boa motocicleta na época).

O VW “Carocha” sofreu várias alterações ao longo dos anos, inovando de certa forma alguns aspectos do seu design entre muitas outras coisas, mas foi sempre mantido o seu formato “oval” e o seu motor de 4 cilindros opostos refrigerado a ar e montado atrás do eixo traseiro.

O som característico do seu pequeno motor de cilindros opostos com o sistema de escape separado para cada uma das bancadas dos cilindros é algo de inconfundível e a sua resistência e durabilidade foi altamente comprovada pela sua utilização ao longo dos anos assim como durante a 2ª guerra mundial.

Como amantes de automóveis cá em casa, existe um VW 1302 “Carocha” que está em fase de restauro, é simplesmente a “jóia da coroa” cá de casa.

Um símbolo da paixão pelos carros antigos e pelo automobilismo em geral.